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Aprendendo

Convite

CONVITE

A SANTIAGO FILMES, JUNTO COM A DIOCESE DE BARRA DO PIRAÍ – VOLTA REDONDA CONVIDAM PARA

A ENTREGA DA PRIMEIRA MEDALHA DE DIREITOS HUMANOS DOM WALDYR CALHEIROS DE NOVAES.

 

HOMENAGEADOS :

ESTRELLA BOHADANA E  PE. NATANAEL DE MORAES CAMPOS.

 

Volta Redonda

 

 

O EVENTO

 Cronograma de Atividades:

 17:00 hs – domingo – dia 16 de julho -Missa pela comemoração de 51 anos de Sacerdócio do Pe. Natanael de Moares Campos. (Igreja Santa Cecília)

19:00 hs – Curta metragem e dança.

20:00 Evento das medalhas

21:30 – Encerramento.

Lançamento do site de direitos humanos M.I.R.A – HUMANOS à imprensa (através deste site faremos a transmissão das atividades em tempo real pela internet) .

 

clique aqui para abrir o convite

Protegido: Proposta de Apoio – Fase 1

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AGRACIADOS COM A MEDALHA.

CONDECORADOS PELA LUTA, GRATIDÃO E AMOR DE DOM WALDYR CALHEIROS:

PARA OS QUE PARTICIPARAM DA JUVENTUDE OPERÁRIA CATÓLICA:
As medalhas serão entregues pelos Jovens da Igreja atual.

1. Pe. Natanael de Moares Campos
2. João Cândido de Oliveira
3. Hélio Medeiros de Oliveira
4. Antônio Liberato Jeremias
5. João Batista da Silva
6. Arly Matildes Amorim
7. Domingos Balbino Bento
8. Jamil Fernandes Vitorino
9. Edir Alves de Souza
10. Guido Tranin Cirilo Tranin
11. Ruth Jeremias
12. Schetino Mota
13. Regina Lúcia Ângelo dos Santos
14. Francisco Gomes de Assunção

 

PARA OS DAS ORGANIZAÇÕES DA ESQUERDA REVOLUCIONÁRIAS:
As medalhas serão entregues filhos e netos dos militantes homenageados.

15. Estrella Dalva Bohadana
16. Sérgio Paulo Galvão
17. Edir Inácio da Silva
18. Marcus Vinícius de Vasconcelos
19. Marco Antônio da Rosa
20. Lauro Bairral Dias
21. João Luiz de Souza
22. Pôncio da Silva Defaveri
23. Líder Pereira Coura
24. Márcio Aruari Peixoto
25. Sérgio Peixoto Dias
26. Carlos Alberto Nascimento dos Santos
27. Wilma Maria da Silva

 

OS DETIDOS PARA “DEPOIMENTO” SOBRE O CASO:
Medalhas serão entregues por integrantes da Comissão da Verdade – VR

28. José Roberto Gomes
29. José Rech
30. José Petrúcio da Silva
31. José Francisco Barbosa
32. Sérgio Diolindo

 

FORAM INDICIADOS “À REVELIA” POR ESTAREM FORAGIDOS
Medalhas entregues pelos filhos e netos dos militantes homenageados.

33. Emídio Jeremias
34. José Ventura
35. Luiz Bursztyn

 

EM NOME DE DOM WALDYR A HOMENAGEM CHEGARÁ A
Medalha ESPECIAL entregue por representante da Igreja – Bispo e alguém que represente Dom Waldyr (amigo ou pessoa da família)

36. Pe. Arnaldo Werlang
37. Irmã Elizabeth
38. Carlos Rosa de Azevedo,
39. Jorge Gonzaga,
40. Natanael José da Silva
41. Gui Michel Camille Tibault.

 

REPRESENTANDO A EQUIPE QUE REALIZOU A COMISSÃO DA VERDADE DE VOLTA REDONDA *
Medalha entregue pela produção do Evento.

42. PRESIDENTE – ALEX MARTINS (ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL-VOLTA REDONDA)
43. VICE PRESIDENTE – VEREADOR JERÔNIMO TELLES (CÂMARA MUNICIPAL DE VOLTA REDONDA)
44. SECRETÁRIO GERAL – LINCOLN BOTELHO DA CUNHA (GOVERNO MUNICIPAL DE VOLTA REDONDA)
45. MEMBRO EFETIVO – MARA LÚCIA BORELLA (DIOCESE DE BARRA DO PIRAÍ-VOLTA REDONDA)
46. MEMBRO EFETIVO – OZANAN CARRARA /
47. ANA PAULA POLL (INSTITUTO CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS – UFF) MEMBRO COLABORDOR –
48. MARCOS AURÉLIO R. GANDRA
49. MEMBRO COLABORADOR – MARLENE FERNANDES
50. MEMBRO COLABORADOR – VICENTE PAULO DE MELO
51. ASSESSORA – ANA CRISTINA CARREIRO ALMEIDA
52. PESQUISADOR E RELATOR EDGARD D. A. TONOLLI BEDÊ

* Este evento não poderia ser realizado sem as pesquisas e coordenação da Comissão da Verdade- VR.

Recado às Esquerdas.

 

PRATICAR A POLÍTICA DO NÃO DEIXAR PEDRA SOBRE PEDRA É CONSTRUIR RUÍNAS.

 

 

Dias depois da manifestação de 24 de maio, já em casa, observo fotos dos ataques e nelas os “infiltrados”. Leio no Blog Tijolaço algo que traduz muito o que sinto com relação ao grupo que chegou com violência nas manifestações, o texto se refere a outro assunto, mas guardei essa frase pois cabe também ao povo e aos políticos de esquerda que agem desunidos e sem estratégia no confronto político: “Praticar a política do “não deixar pedra sobre pedra” é, óbvia e literalmente, o mesmo que “construir ruínas”. E a ruína – horrenda, disforme, pobre fortaleza sem defesas – é a do Brasil e do povo brasileiro”.  

As imagens e a impactante frase levam-me a analisar aqueles que buscaram confronto inconsequente e foram preparados com paus, madeirite , escudos, máscaras, enquanto os movimentos sociais e sindicatos deixavam para trás cabos de bandeiras, tubos de PVC das faixas e tudo que pudesse não passar pelas revistas que aconteceriam em dois pontos. Era como se mesmo sabendo da violência que seguiria depois de qualquer tumulto não se importassem com o que fosse acontecer com a maioria dos manifestantes desarmados, dentre estes idosos e crianças.

Sou contra a  destruição do patrimônio público, aquilo tudo foi pago por mim, por nós, mas abomino ainda mais a destruição dos direitos básicos do povo, temos que ir para o confronto, mas quando as “ações de preservação dos direitos” servem de justificativa para um desdobramento violento e atos repressores da polícia e do governo, começo a achar que “as esquerdas”, nada unidas, apoiam o lado do opressor. Como? As manifestações na Copa do Mundo, Olimpíadas, Impeachment,  Greve Geral, Brasília e outras não foram frutíferas por causa da ação de tumultuadores e da polícia. Porque as atitudes dos que provocaram o início destas não foram impedidas pelos próprios manifestantes que lutavam legitimamente por direitos? Sabemos que a polícia não prende nem 10% destes e que muitos violentos são P2.

Os Black Blocs do Rio, que no começo eram utilizados por políticos e por patricinhas metidas a revolucionárias (conheço as peças) hoje dão vazão a sentimentos de jovens de periferia e comunidades que estão ali “aparentemente” para atacar a polícia e o establishment. Eles são respeitados pelas tais “esquerdas”? Quem são realmente os Black Blocs, gente que tem o sangue nos olhos e quer matar quem as oprime ou politicamente esclarecidas que sabem o que estão fazendo? O quanto eles ajudam nas manifestações? Alguém sente algum vínculo com os black blocs, alguém das “esquerdas” pensa em apoiá-los e utilizar essa potência de reivindicação para o bem dos próprios e das ações ou querem mais é que estes sejam bois de piranha? A polícia que “trabalha” nas manifestações não está ali para proteger-nos ou fazer nossos olhos lacrimejarem –  vi várias fotos na internet dos “puliças” empunhando pistolas, armas letais e, aqui entre nós, bomba de efeito moral não arranca dedos como o que aconteceu com o estudante Vitor Rodrigues Fregulia.

Um outro texto me chamou a atenção, escrito por um pseudo-jornalista, dizia que os Black Blocs ajudaram pessoas na manifestação de Brasília, que socorreram e fizeram uma barreira aos aposentados que estavam sucumbindo às bombas. Ããã? Eu estava lá! Black Blocs queriam era dar pedrada e fazer barulho! Com certeza o “jornalista” estava confundindo-os com o Levante Popular da Juventude, um grupo de jovens politizados que, pelo que tenho notícia, não saem com violência nas manifestações, mas sempre com a força de palavras de ordem e músicas de protesto. Nessa manifestação o grupo resolveu fazer camisetas pretas e vestir luto pelo fim da democracia.

Pouco antes de sairmos para a caminhada, gravei imagens e entrevistei manifestantes, principalmente do Movimento dos Sem Terra, representantes de Goiás, da organização nacional e estudantes. Todos almoçavam organizadamente, ninguém preocupado com a polícia ou com confronto, ali estavam basicamente famílias e jovens. Fomos os últimos a entrar na marcha – antes de sairmos o “Levante” entrou na frente do MST (que eu acompanhava)  e seguimos sendo, até aquela hora, o espetáculo da tarde.

Focada na filmagem não percebi que o amigo que me acompanhava não estava (e com ele minha mochila). Já estávamos próximos a primeira barreira policial. Recuei para procurá-lo. O Levante entrou pela lateral, ao mesmo tempo em que alguns manifestantes se recusavam a serem revistados e forçavam a barreira, penso que foi aí que o confronto começou,  nessa hora apareceram adolescentes, do nada, que jogavam pedras na cavalaria. Hoje vi na internet imagens dos “cavalos” vindo em bloco a atacar pessoas que apenas caminhavam em direção ao Congresso.

Estava cansada e suja, depois de dezoito horas de viagem e algumas horas de filmagem do evento. Vestia camiseta, calça jeans e chinelo de dedo. Tudo que poderia me proteger, meu vinagre, leite de magnésia, lenço e documentos estavam na mochila desaparecida. Por incrível que pareça a defesa da maioria das pessoas eram esses produtos, além, óbvio, da união com os parceiros que tinham o mesmo foco: NENHUM DIREITO A MENOS, FORA TEMER e DIRETAS JÁ!

Juntei-me novamente às pessoas do MST, procurando Julia e Gilmar, amigos do assentamento de Piraí, a fim de filmá-los transpondo a barreira, mais uma a atravessarem em direção à cidadania. Tão bonita a atitude dos Sem Terra que, com certeza, se os policiais estavam focados em fazer pressão contra o povo seria em cima desses que foram ovacionados pelos transeuntes quando chegaram à avenida. Seguramente a intenção seria focar em quem não foge ao confronto, independente se entre esses estivessem famílias e crianças pequenas. Exatamente nessa procura pelos amigos, ouço do caminhão da CUT o aviso de que um confronto estava acontecendo e quem não tivesse possibilidades de avançar, que, por favor, parasse. Praticamente todos pararam! O ar de confraternização que vingava até ali ficou extremamente pesado. Já começava a arder-nos a garganta e os olhos, quando um mar vermelho passou, eram os movimentos que voltavam cabisbaixos e confusos. Os olhos e a pele realmente estavam me incomodando, escondi a câmera, que nessa altura já estava quase sem bateria, mais uma razão para economizar, pois minha segunda bateria estava na “mochila desaparecida”. Perguntei as horas a uns senhores quando ouvimos que Aécio Neves havia sido preso, ficamos conversando e procurando na internet mais informações sobre a feliz notícia a respeito do meliante (depois descobrimos que este havia sido convidado a entregar o passaporte e sido notificado de prisão – juro que não sei bem o que significa isso).

Todos concentrados nos celulares quando uma fumaça preta começa a sair entre os prédios, pensei que fosse barricada de pneus queimados, ahhh – inocente demais sou, mal sabia que aquela ardência nos olhos não era por acaso, a violência acontecia brutalmente no Planalto Central e só não foi pior porque a maioria dos movimentos recuaram e seguiram para os ônibus e acampamentos, dando como cumprida a tarefa de manifestação em Brasília, no histórico dia de 24 de maio de 2017. Aquele óbvio desespero do Governo nos fazia concluir que a missão tinha mostrado força e organização. Soube então que a fumaça vinha do Ministério da Agricultura, na hora me veio à cabeça que aquilo tudo era forjado e não era por acaso o INCRA ser incendiado e a repressão começar justamente quando os Sem Terra chegavam acerca da primeira barreira. Minha cabeça funcionava em uma velocidade absurda e todo tipo de conjectura foi analisada. O que eles queriam era uma chacina, mas o povo recuar foi um golpe nos facínoras que de maneira alguma estavam lá para prender agressores, o intuito realmente era de destruir os contestadores e mostrar poder, um poder que esse governo ilegítimo não tem, nunca teve ou terá.

Conseguiram o aborto de nossa intenção em abraçar e sufocar o congresso? Perto de mim muitos passavam mal, estavam feridos ou quase desmaiando, isso sem motivo algum. Recordei-me de uma frase que Dom Waldyr Calheiros disse-me em entrevista a respeito de um torturado – “ele não fez nada, sofreu tudo isso e não havia feito nada de errado. Nada”. Retrocedemos a 1968 ou a ditadura nunca deixou de existir? Essa foi mais uma manifestação pacífica até que as bombas e tiros (letais inclusive) dos policiais apareceram. Se quiséssemos tomar o Congresso, era só avançar e entrar ESTRATEGICAMENTE em uníssono, pode até ser que acontecessem baixas, mas como diz um amigo meu, ex-militar , “se a massa for pra cima a maioria dos soldados corre”. Desta vez era fato que o confronto não era o intuito, ou então as pessoas não levariam bebês de 6 meses a “passear para morrer” por Nenhum Direito a Menos.

Caminhando em direção ao ônibus comprei uvas e pedi ao senhor que as vendia, e lavava as frutas antes de entregá-las, que molhasse meus pulsos e nuca. Aquela água gelada me fez reviver, o homem que estava no espírito de todos ali, disse emocionado: “Volte a Brasília, não deixe de vir, a gente precisa de gente assim como vocês aqui”. Sorri com os olhos marejados, apertamos as mãos e segui com um novo aperto agora na garganta, aquele jovem senhor me fazia acredita na luta por dignidade!

Andávamos sentindo a dor de não completar o processo, era como se estivéssemos em slow motion, a intensão de sufocar o Congresso Nacional com uma energia pacífica, educada, politizada e cheia de boa vontade que permeara toda nossa viagem até à passeata se esvanecia em uma nuvem negra e bombas ardentes. Por algum tempo voltei o rosto para aquela fumaça toda e o congresso nacional ao fundo, um mundo de gente com bandeiras vermelhas e brasileiras seguiam de costas para o Congresso. Parei e fiquei no meio da avenida, saquei a câmera de dentro da camiseta e como se ela fosse minha arma comecei a registrar os diferentes brasileiros que passavam, peles de várias cores, almas de várias culturas, palavras em vários sotaques, alguns me olhavam sérios, outros sorriam e faziam pose, mas nenhum desviava o rosto ou se escondia, ninguém devia nada, todos tinham no olhar a vibração de terem participado de algo que não deveria ter ali seu fim, mas infelizmente, por ações de inconsequentes, todo processo viabilizado pelos sindicatos e movimentos sociais seria protelado.

Uma raiva absurda tomava conta de mim, o que eu ouvia dos companheiros era que Black Blocs e P2 haviam se infiltrado e abortado a manifestação antes desta conseguir se instalar no campo do Congresso Nacional. O que conclui enquanto andava era que algumas pessoas, um número mínimo, vieram preparadas para a radicalização da luta, mas sem nenhuma estratégia e preparo, foi uma decisão isolada e equivocada desde o início, sem a participação da totalidade dos manifestantes. Exausta de tudo e todos continuei caminhando…

Mais a frente pessoas compravam sorvete e com os olhos vermelhos comentavam: “A bomba estourou do meu lado, eu estava parado, fazendo nada, só olhando, viu? eles atiraram de propósito”. Este senhor, que não consigo identificar agora de que movimento era, e um casal de Feira de Santana, Bahia, Ana e Felipe Jesus, foram bem amáveis ao me responder-me quando perguntei sobre o que aconteceu depois da segunda barreira. A moça me contou que viu as pessoas voltando e avançou, crendo que ficando parada estaria em segurança, viu a aproximação de vários outros manifestantes de todos os partidos e movimentos, que acreditavam que abraçados não sofreriam violência, disse-me que, perto dela, eram uns dez que “tocavam rebu”.

Pouco antes de me encontrar com os baianos vi passar por mim jovens adolescentes com máscaras caras e material de defesa profissional, todos rindo e comemorando. Comemorando o quê? A narrativa de Ana apoiava meus sentimentos com relação ao acontecido. Disse-me que viu muitos garotos radicalizando a luta e que percebeu infiltrados. Contou-me de um rapaz, adolescente, que passou correndo, dizendo: “eu coloquei fogo no ministério da agricultura, fogo no ministério da agricultura!” e que foi aí que a fumaça negra começou, realmente foi esse o ministério primeiramente atingido por pedras e fogo. Todos estávamos com intuito pacífico, até a hora do confronto não víamos policiais ostensivamente. Com certeza as sucessivas bombas nos assustaram. Ana continuou a me dizer que nunca pensou que estaria em um contra enfrentamento, que estava ali para ocupar Brasília, para mostrar aos golpistas que o povo tem poder, disse ainda e eu concordo, acreditar que “se não tivesse os black Blocs, algo o governo golpista faria para tentar atacar a classe trabalhadora, que é o grande alvo desse governo golpista e de suas propostas ilegítimas”. Era realmente tudo muito desigual, comentou ainda “naquele descampado havia umas cem pessoas e a gente ficava ali resistindo sem querer sair mesmo, solidarizando-nos, dividindo vinagre, água e socorrendo pessoas próximas”.

Despedi-me de meus novos amigos baianos, atendendo aos telefonemas vindos do nosso “Ônibus da Frente Unificada Contra as Reformas- VR”, onde muitos componentes já haviam retornado e esperavam-me para seguirmos a Volta Redonda, RJ, éramos eu – jornalista, sindicalistas, professores, donas de casa, pessoas de terceira idade já aposentadas e desempregados, um coletivo pequeno, mas com ânimo e bom humor para enfrentar uma viagem de 36 horas – ida e volta.

Dentro do ônibus tive conhecimento de várias visões do dia e estressei-me de verdade com algumas pessoas, não venham me dizer-me que os infiltrados estavam ali ligados a uma ideologia ou a algum patético nazista possível candidato a presidente. Não! Naquele momento, e até agora, penso que as ações que abortaram a tomada do Congresso pelos duzentos mil trabalhadores foram realizadas por policiais infiltrados e esquerdistas equivocados, sem noção de coletividade, estratégia, organização e do que é nação!

Engenheiro e professor, Samuel, o amigo desaparecido detentor da minha mochila, contou-me que entrou junto com o Levante, se eu o tivesse procurado para frente o teria encontrado, mas estaria em meio às agressões, o que nunca foi meu intuito depois de viajar tantas horas para chegar a Brasília. Continuando o relato Samuel disse: “indo em direção ao prédio do Congresso, encontrei o pessoal do coletivo da universidade, nesse momento os policiais começaram a jogar gás de pimenta e de repente no Ministério da Agricultura, eu estava ao lado deste, um fogo e fumaça, foi quando a polícia começou a bater e eu corri, porque eu não estava ali pra apanhar. Fui pra frente do Ministério do Turismo e em segundos apareceram pessoas que começaram a quebrar tudo também, esses não foram mascarados, eram dois rapazes que eu posso dizer  não pareciam Black Blocs, eram jovens, um estava vestido de vermelho e branco e o outro de blusa branca. Assim que o fogo no Ministério da Agricultura começou todos correram, os policiais começaram a meter bala nas pessoas”.

Até ali eu questionava se o Levante fora partícipe, por ter entrado pela lateral, saindo fora da barreira. Não foi não, disse Samuel– “foi gente que se infiltrou ali e o Levante estava vestindo preto pela morte da democracia, eles são do bem, vieram da União da Juventude Socialista. Vi um senhor bem idoso chegar perto de um dos que radicalizavam e falar – “Oh meu filho isso não vai adiantar nada”. O moleque parou e continuou tudo logo depois”, narrou o amigo.

Um presidente de sindicato que estava conosco, Luis Fernando, contou-nos sua versão: “Estávamos com a organização da manifestação e vi passando por ali pessoas com coquetel molotov, escondidos atrás de máscaras de gás profissional, a maioria deles adolescente, não mais que vinte anos”. Luís diz que resolveu seguir para o Congresso com uma amiga jornalista, lembra que repararam uma identificação diferente de alguns dos que estavam atacando os ministérios – desenhos de caveira, por baixo da máscara. Continuou ansioso o relato: “passamos a primeira barreira, chegamos à segunda e as pessoas que estavam perto de mim eram pacíficas. Fomos os primeiros a chegar e depois chegaram os policiais rodoviários montando a grade da segunda barreira. Imediatamente os black blocs já estavam jogando pedras na polícia, chutando tudo”. O relato fica nervoso: “ Nisso, umas pessoas da organização no caminhão de som falavam “gente, tira esses mascarados daí, eles não estão com agente não, eles não representam a gente, tirem eles daí”. Pergunto o que foi feito com esse pedido. “Nada. Começou o quebra-quebra, as bombas de gás lacrimogênio sendo disparadas, o helicóptero jogando gás e as bombas indo para cima do carro do comando, onde estavam o deputado Glauber do PSOL, o Pimenta do PT, a Vanessa, a Jandira Fegalli, outra deputada da Paraíba. Mandaram bomba em cima do caminhão, mandaram bomba até em cima dos policias rodoviários”.

Nessa hora do relato me assustei. Polícia mandando bomba em cima da polícia? “Sim. Os policiais mandaram bomba em cima dos policiais rodoviários e do caminhão de comando da manifestação. Os que jogavam pedras eram no máximo dez pessoas e o terror foi potencializado pela polícia. A partir daí minha vista ardia muito e fui comprar água para lavar o rosto, nisso a policia veio de moto e eu saí. Já tinha passado por ataque no Rio de Janeiro quando fui proteger uma professora e até hoje não recuperei a saúde, levei choque de cinco policiais e não ia deixar eles fazerem isso comigo novamente. Deu medo da sanha dos caras” disse o sindicalista.

Um outro companheiro de viagem, Rafael, um metaleiro caladão,  que vestido de preto poderia ser confundido com um Black Bloc, resolveu entrar na conversa e dizer o que viu, nos deu um relato de amizade entre desconhecidos. “Cheguei sozinho à primeira barreira e não podia entrar com pau de bandeira, com tubo de pvc, nem nada e o grupo que estava perto assumiu passar pelas barreiras na marra, com bandeiras e tudo, diziam que se fossemos atacados seria nossa defesa, abriram caminho e avançaram com o que tinham, se não passássemos naquela hora a tropa de choque viria, passamos. Em pouco tempo começou a confusão, era bomba demais, alguém falou para um se apoiar no outro e ficamos assim, meio que abraçados, em corrente, até que a situação ficou insustentável, ajudamos muita gente com água, vinagre e apoio, pois alguns estavam passando mal mesmo. Vi solidariedade demais entre aquelas pessoas”. E os black Blocs? “Adolescentes. Os que eu vi eram gente com idade de menos de 20 anos”, narrou Rafael.

Tantos discursos interessantes ouvi, tanta gente bacana conheci, a experiência com o MST foi fantástica e deve se tornar um documentário em breve e eu aqui, dias depois, mais calma, escrevendo sobre Black Blocs. Sim! Quero que esse texto chegue a muitos deles, isso se existirem muitos. Para mim é impossível que vinte pessoas possam tirar a legitimidade de um movimento de 200 mil pessoas. Porque os policiais não pegaram os moleques mascarados quando foram avisados pelo carro de comando? Porque esses reacionários de direita e esquerda são aceitos pela polícia e não são presos? A quem serve isso? Mesmo que sejam de esquerda essas pessoas não nos representam e atrapalham as manifestações que começam pacíficas e acabam divulgadas como reunião de baderneiros. Se estes não se sintonizam com o resto dos grupos, porque não vão a manifestações de direita? Vão lá, peitem os coxinhas, quebrem vidros nas manifestações deles.  Quanto aos P2, de que adianta serem mercenários de políticos que tiram seus direitos, cometendo crimes odientos contra a população e principalmente contra o futuro de seus filhos e netos? Não, não vale a pena. Que deixemos de ser “as esquerdas” intolerantes e nada compreensivas e, se nos achamos esclarecidos,  que tenhamos a compreensão que a responsabilidade de povo unido por um bem comum é nossa, quem sabe assim tenhamos novamente orgulho de sermos  – brasileiros.

 

Rosane Santiago Cordeiro – documentarista.

Dias depois da manifestação de 24 de maio, já em casa, observo fotos dos ataques, onde percebe-se “infiltrados”. A+inda com muita raiva, digo que desprezo as pessoas que buscaram confronto inconsequente e foram preparados com paus, madeirite , escudos, máscaras, enquanto os movimentos sociais e sindicatos deixaram cabos de bandeiras, tubos de PVC das faixas e tudo que pudesse não passar pelas revistas, que sabíamos aconteceriam em dois pontos. Era como se estivessem criando o tumulto, sabendo da violência que seguiria sem o mínimo respeito para com a grande maioria dos manifestantes desarmados.

Sou contra a destruição do patrimônio público, e muito mais contra a destruição dos direitos básicos do povo e quando as agressões servem de justificativa para um desdobramento violento, atos repressores da polícia e do governo, começo a achar que “as esquerdas” (é assim que se auto intitulam agora, nada unidas, várias esquerdas) apoiam o lado do opressor. Como? Vamos lá, explicando: Porque na Copa do Mundo, nas Olimpíadas, na Greve Geral, em Brasília e outras manifestações que não foram frutíferas por causa da ação de tumultuadores e da polícia, a atitudes dos que provocaram o início destas não foram impedidas pelos próprios manifestantes?  A polícia não prende nem 10% destes e sabemos que muitos são  P2. Os black Blocs do Rio que no começo eram utilizados por políticos e por patricinhas metidas a revolucionárias (conheço as peças) hoje dão vazão a sentimentos de jovens de periferia e comunidades que estão ali “aparentemente” para atacar a polícia e o “establishment”, mas não têm orientação nem solidariedade alguma cm o restante, esses são respeitados pelas tais “esquerdas”? Quem são realmente os Black Blocs, gente que tem o sangue nos olhos e quer matar quem o oprime ou pessoas politicamente esclarecidas que sabem o que estão fazendo? O quanto eles ajudam aos movimentos? Alguém sente algum vínculo com eles, alguém da “esquerda” pensa em apoiá-los e utilizar essa força para o bem dos próprios ou querem mais que estes sejam bois de piranha?

Hoje li um texto em que um pseudo-jornalista dizia que os Black Blocs ajudaram pessoas na manifestação de Brasília, que socorreram e fizeram uma barreira aos aposentados que estavam sucumbindo às bombas. Âãã? Eu estava lá! Ele está confundindo com o Levante, um grupo de jovens politizados que, pelo que tenho notícia, não saem com violência nas manifestações, mas sempre com a força de palavras de ordem e músicas de protesto. Nessa manifestação o grupo resolveu fazer camisetas pretas e vestir luto pelo fim da democracia.

 

Pensei em contar o que vi, mas aqui relato mais do que isso, o que senti. Pouco antes de sairmos para a caminhada, gravei muitas imagens e entrevistei pessoas interessantes, principalmente do Movimento dos Sem Terra, representantes de Goiás, da organização nacional e estudantes, todos almoçavam organizadamente, ninguém estava preocupado com a polícia ou com confronto, ali estavam basicamente famílias e jovens. Fomos os últimos a entrar na marcha – antes de sairmos o  “Levante” entrou na Frente e o MST (que eu acompanhava) seguiu atrás, foi realmente um espetáculo.

 

Quando estávamos quase chegando à primeira barreira, notei que o amigo que me acompanhava não estava (e com ele sumira minha mochila), recuei, o Levante entrou pela lateral, ao mesmo tempo em que alguns manifestantes se recusavam a serem revistados e forçavam a barreira para entrar, não sei se foi aí que o confronto começou, algumas pessoas falam que nessa hora apareceram adolescentes desconhecidos, do nada, que jogavam pedras na cavalaria, não sei se foi realmente assim que aconteceu, mas vi na internet imagens da cavalaria vindo em bloco atacando pessoas que apenas caminhavam em direção ao Congresso.

Eu estava cansada e suja, depois de dezoito horas de viagem e algumas horas de filmagem do evento. Vestia camiseta, calça jeans, chinelo de dedo e tudo que poderia me proteger – meu vinagre, leite de magnésia, lenço e documentos estavam na mochila desaparecida. Por incrível que pareça a defesa da maioria das pessoas eram esses produtos, além, óbvio, da união com os parceiros que tinham o mesmo foco: NENHUM DIREITO A MENOS, FORA TEMER e DIRETAS JÁ!

 

Juntei-me novamente às pessoas do MST, procurando Julia e Gilmar, amigos do assentamento de Piraí, a fim de filmá-los transpondo as barreiras, mais uma a atravessarem em direção à cidadania. Tão bonita a atitude dos Sem Terra que, com certeza, se os policiais estavam focados em fazer pressão contra o povo seria em cima desses que foram ovacionados pelos transeuntes quando chegaram à avenida. Seguramente a intenção seria focar em quem não foge ao confronto, independentemente se entre esses estavam idosos, mulheres e crianças.

 

Exatamente nessa procura pelos amigos, ouço do caminhão da CUT o aviso de que um confronto estava acontecendo e quem não tivesse possibilidades de avançar, que, por favor, parasse. Praticamente todos pararam! O ar de confraternização que vingava até ali ficou extremamente pesado, já começava a arder-nos a garganta e os olhos, quando um mar vermelho passou, eram os movimentos que voltavam cabisbaixos e confusos. Os olhos e a pele realmente estavam me incomodando, escondi a câmera, que nessa altura já estava quase sem bateria, mais uma razão para economizar, pois minha segunda bateria estava na “mochila desaparecida”. Perguntei as horas a uns senhores quando ouvimos que Aécio Neves havia sido preso, ficamos conversando e procurando na internet mais informações sobre a feliz notícia da prisão do meliante (depois descobrimos que este havia sido convidado, mais ou menos assim).

 

Todos concentrados nos celulares quando vi uma fumaça preta saindo entre os prédios, pensei que fosse barricada de pneus queimados, ahhh – inocente demais eu sou, mal sabia que aquela ardência nos olhos não era por acaso, a violência acontecia brutalmente no Planalto Central e só não foi pior porque a maioria dos movimentos recuaram e seguiram para os ônibus e acampamentos, dando como cumprida a tarefa de manifestação em Brasília, no histórico dia de 24 de maio de 2017. Aquele óbvio desespero do Governo nos fazia concluir que a missão tinha mostrado força e organização. Soube então que a fumaça vinha do Ministério da Agricultura, na hora me veio à cabeça que aquilo tudo era forjado e não era por acaso o INCRA ser incendiado e a repressão começar justamente quando os Sem Terra chegavam acerca da primeira barreira. Minha cabeça funcionava em uma velocidade absurda e todo tipo de conjectura foi analisada. O que eles queriam era uma chacina, mas o povo recuar foi um golpe nos facínoras que de maneira alguma estavam lá para prender agressores, o intuito realmente era de destruir os contestadores e mostrar poder, um poder que esse governo ilegítimo não tem, nunca teve ou terá.

 

Conseguiram o aborto de nossa intenção em abraçar e sufocar o congresso? Pouco mais de 20/30 pessoas deram motivos aos policiais para que 200 mil recuassem? Perto de mim muitos passavam mal, estavam feridos ou quase desmaiando, isso sem motivo algum, recordei então uma frase que Dom Waldyr Calheiros disse-me em entrevista a respeito de um torturado – “ele não fez nada, sofreu tudo isso e não havia feito nada de errado. Nada”. Retrocedemos a 1968 ou a ditadura nunca deixou de existir? Essa foi mais uma manifestação pacífica até que as bombas e tiros (letais inclusive) dos policiais apareceram. Se quiséssemos tomar o Congresso, era só avançar e entrar ESTRATEGICAMENTE em uníssono, pode até ser que acontecessem baixas, mas como diz um amigo meu, ex-militar , “se a massa for pra cima a maioria dos soldados corre”. Desta vez era fato que o confronto não era o intuito, ou então as pessoas não levariam bebês de 6 meses a “passear para morrer” por Nenhum Direito a Menos.

 

Caminhando em direção ao ônibus comprei uvas e pedi ao senhor que as vendia, e lavava as frutas ates de entrega-las, que molhasse meus pulsos e nuca. Aquela água gelada me fez reviver, o homem que estava no espírito de todos ali, disse emocionado: “Volte a Brasília, não deixe de vir, a gente precisa de gente assim como vocês aqui”. Sorri com os olhos marejados, apertamos as mãos e segui com um novo aperto agora na garganta, aquele homem me fazia acredita na luta por dignidade!

 

Andávamos sentindo a dor de não completar o processo, era como se estivéssemos em slow motion, a intensão de sufocar o Congresso Nacional com uma energia pacífica, educada, politizada e cheia de boa vontade que permeara toda nossa viagem até à passeata pacífica se esvanecia em uma nuvem negra e bombas ardentes. Por algum tempo voltei o rosto para aquela fumaça toda e o congresso nacional ao fundo, um mundo de gente com bandeiras vermelhas e brasileiras seguiam. Parei e fiquei no meio da avenida, saquei a câmera de dentro da camiseta e como se ela fosse minha arma comecei a registrar os diferentes brasileiros que passavam, peles de várias cores, almas de várias culturas, palavras em vários sotaques, alguns me olhavam sérios, outros sorriam e uns faziam pose, mas nenhum desviava o rosto ou se escondia, ninguém devia nada, todos tinham no olhar a vibração de terem participado de algo que não deveria ter ali seu final, mas que infelizmente, por ações de inconsequentes, todo processo viabilizado pelos sindicatos e movimentos sociais seria protelado.  Uma raiva absurda tomava conta de mim, o que eu ouvia dos companheiros era que Black Blocs e P2 haviam se infiltrado e abortado a manifestação antes desta conseguir se instalar no campo do Congresso Nacional. O que conclui enquanto andava era que algumas pessoas, um número mínimo, vieram preparadas para a radicalização da luta, mas sem nenhuma estratégia e preparo, foi uma decisão isolada e equivocada desde o início, sem a participação da totalidade dos manifestantes.  Exausta continuei caminhando…

 

Mais a frente pessoas compravam sorvete e com os olhos vermelhos comentavam: “A bomba estourou do meu lado, eu estava parado, fazendo nada, só olhando, viu? eles atiraram de propósito”. Este senhor, que não consigo identificar agora de que movimento era, e um casal de Feira de Santana, Bahia, Ana e Felipe Jesus, foram bem amáveis ao me responder-me quando perguntei sobre o que aconteceu depois da segunda barreira. Ana contou que viu as pessoas voltando e avançou, crendo que ficando parada estaria em segurança, viu a aproximação de vários outros manifestantes de todos os partidos e movimentos, que acreditavam que abraçados não sofreriam violência, disse-me que, perto dela, eram uns dez que “tocavam rebu”.

 

Pouco antes de me encontrar com os baianos vi passar por mim jovens adolescentes com máscaras caras, material de defesa profissional, todos rindo e comemorando. Comemorando o quê? A narrativa da moça apoiava meus sentimentos com relação ao acontecido. Disse-me que viu muitos adolescentes radicalizando a luta e que percebeu infiltrados. Contou-me de um rapaz, adolescente, que passou correndo, dizendo: “eu coloquei fogo no ministério da agricultura, fogo no ministério da agricultura!” e que foi aí que a fumaça negra começou, realmente foi esse o ministério primeiramente atingido por pedras e fogo.

 

Todos estávamos com intuito pacífico, até a hora do confronto não víamos policiais ostensivamente. Com certeza as sucessivas bombas nos assustaram, Ana continuou a me dizer que nunca pensou que estaria em um contra enfrentamento, que estava ali para ocupar Brasília para mostrar aos golpistas que o povo tem poder, disse ainda e eu concordo, acreditar que “se não tivesse os black Blocs, algo o governo golpista faria para tentar atacar a classe trabalhadora, que é o grande alvo desse governo golpista e de suas propostas ilegítimas”. Era realmente tudo muito desigual, comentou ainda “naquele descampado havia umas cem pessoas e a gente ficava ali resistindo sem querer sair mesmo, solidarizando-nos, dividindo vinagre, água e socorrendo pessoas próximas”.

 

Despedi-me de meus amigos baianos, atendendo aos telefonemas vindos do nosso “Ônibus da Frente Unificada Contra as Reformas- VR”, onde muitos componentes já haviam retronado esperavam-me para seguirmos a Volta Redonda, RJ, éramos eu – jornalista, sindicalistas, professores, donas de casa, pessoas de terceira idade já aposentadas e desempregados, um coletivo pequeno, mas com ânimo e bom humor para enfrentar uma viagem de 36 horas – ida e volta.

 

Dentro do ônibus tive conhecimento de várias visões do acontecido naquele dia e me estressei de verdade com algumas pessoas, não venham me dizer que os infiltrados estavam ali ideologicamente ligados a algum patético nazista possível candidato a presidente. Não! Naquele momento, e até agora, penso que as ações que abortaram a tomada do Congresso pelos duzentos mil trabalhadores foram realizadas por policiais infiltrados e esquerdistas equivocados, sem noção de coletividade, estratégia, organização e do que é nação!

 

Engenheiro e professor, Samuel, o amigo desaparecido detentor da minha mochila, contou-me que entrou junto com o Levante, se eu o tivesse procurado para frente o teria encontrado , mas estaria em meio às agressões, o que nunca foi meu intuito depois de viajar tantas horas para chegar a Brasília. Continuando o relato Samuel disse-nos que: “indo em direção ao prédio do Congresso, encontrei o pessoal do coletivo da universidade. Os policiais começaram a jogar gás de pimenta e de repente no Ministério da Agricultura, eu estava ao lado deste, um fogo e fumaça, foi quando a polícia começou a bater e eu corri, porque eu não estava ali pra apanhar. Fui pra frente do Ministério do Turismo e em segundos apareceram pessoas que começaram a quebrar ali também, esses não foram mascarados, eram dois rapazes que eu posso dizer um estava com uma blusa vermelha e branca e o outro de blusa branca. Assim que o fogo no Ministério da Agricultura começou as pessoas correram porque os policiais começaram a meter bala nas pessoas.

 

Até ali questionávamos se o Levante fora partícipe, por ter entrado pela lateral, saindo fora da barreira. Não foi não, disse Samuel– “foi gente que se infiltrou ali e o Levante estava vestindo preto pela morte da democracia, eles são do bem, vieram da União da Juventude Socialista. Vi um senhor bem idoso chegar perto de um dos que confrontavam e falar – Oh meu filho isso não vai adiantar nada. O moleque parou e continuou logo depois, contou o amigo”.

 

Um presidente de sindicato que estava conosco, Luis Fernando, contou-nos sua versão: “Estávamos com a organização da manifestação e vi passando por ali pessoas com coquetel molotov, escondidos atrás de máscaras de gás profissional, a maioria deles adolescente, não mais que vinte anos”. Luís diz que resolveu seguir para o Congresso com uma amiga jornalista, lembra em seu depoimento a nós que repararam uma identificação de alguns dos que estavam atacando os ministérios – desenhos de caveira, por baixo da máscara. Continua ansioso o relato: “passamos a primeira barreira, chegamos à segunda e as pessoas que estavam perto de mim eram pacíficas. Fomos os primeiros a chegar e depois chegaram os policiais rodoviários montando a grade da segunda barreira. Imediatamente chegaram os black blocs jogando pedras na polícia, chutando tudo”. O relato fica nervoso: “ Até aí estava tudo pacífico. Nisso umas pessoas da organização, no caminhão de som falavam “gente, tira esses mascarados daí, eles não estão com agente não, eles não representam a gente, tirem eles daí”. Pergunto o que foi feito com esse pedido. “Nada. Começou o quebra-quebra, as bombas de gás lacrimogênio sendo disparadas, o helicóptero jogando gás e as bombas indo para cima do carro do comando, onde estavam o deputado Glauber do PSOL, o Pimenta do PT, a Vanessa,  a Jandira Fegalli, outra deputada da Paraíba. Mandaram bomba em cima do caminhão, mandaram bomba até em cima dos policias rodoviários”.

 

Nessa hora do relato me assustei. Polícia mandando bomba em cima da polícia? “Mandaram bomba em cima dos policiais rodoviários e do caminhão de comando da manifestação. Eram no máximo dez pessoas e tocaram esse terror que foi potencializado pela polícia. A partir daí minha vista ardia muito e fui comprar água para lavar o rosto, nisso a policia veio de moto e eu saí. Já tinha passado por ataque no Rio de Janeiro quando fui proteger uma professora e até hoje não recuperei a saúde, levei choque de cinco policiais e não ia deixar eles fazerem isso novamente. Deu medo da sanha dos caras”.

 

Um outro companheiro que estava conosco no ônibus, um metaleiro caladão, Rafael, que vestido de preto poderia ser confundido com um Black Bloc, resolveu entrar na conversa e dizer o que viu, nos deu um relato de amizade entre desconhecidos. “Cheguei sozinho à primeira barreira e não podia entrar com pau de bandeira, com tubo de pvc nem nada e o grupo que estava perto assumiu passar pelas barreiras na marra, com bandeiras e tudo, diziam que se fossemos atacados seria nossa defesa, abriram caminho e avançaram com o que tinham, se não passassemos naquela hora a tropa de choque viria, passamos. Em pouco tempo começou a confusão, era bomba demais, alguém falou para um se apoiar no outro e ficamos assim, meio que abraçados, em corrente, até que a situação ficou insustentável, ajudamos muita gente com água, vinagre e apoio, pois alguns estavam passando mal mesmo. Vi solidariedade demais entre aquelas pessoas. Os black Blocs? Adolescentes. Os que eu vi eram gente com idade de menos de 20 anos” narrou Rafael.

 

Tantos discursos interessantes eu ouvi, tanta gente bacana conheci, a experiência com o MST foi fantástica e deve se tornar um documentário e eu escrevendo sobre Black Clocs? Sim! Para mim é impossível que vinte pessoas possam tirar a legitimidade de um movimento de 200 mil pessoas. Porque os policiais não pegaram os moleques mascarados quando foram avisados pelo carro de comando? Porque esses reacionários de direita e esquerda são aceitos pela polícia e não são presos? Mesmo que sejam de esquerda essas pessoas não nos representam e atrapalham os movimentos que começam pacíficos e acabam divulgados como reunião de baderneiros. Se estes não se sintonizam com o resto dos grupos, porque não vão a manifestações de direita, vão lá, peitem os coxinhas, quebrem vidros nas manifestações deles. P2 sigam seu iguais!!!

 

Li no Blog Tijolaço uma frase que traduz muito o que sinto com relação ao grupo que se infiltrou com violência nas manifestações, o texto se referia ao desmantelamento do Estado pelo MP e judiciário, mas guardei a frase pois cabe também ao povo e aos políticos de esquerda que agem desunidos e sem estratégia no confronto político: “Praticar a política do “não deixar pedra sobre pedra” é, óbvia e literalmente, o mesmo que “construir ruínas”. E a ruína – horrenda, disforme, pobre fortaleza sem defesas – é a do Brasil e do povo brasileiro”.

 

Humanos

 

Razões de termos esse espaço:

O principal objetivo é ser um ponto de encontro para diferentes soluções no que tange aos problemas atuais de falta de direitos da humanidade na sociedade . Além disso queremos  instruir, localizando as idéias em momentos diferentes da história a fim de percebermos o que há de novo, quais as forças atuais de comunicação e de ativismo, pensarmos juntos a fim de chegarmos no tipo de enfrentamento, de luta, de proteção,  exigido atualmente.

Enfocaremos todo Brasil e países americanos (América do Sul e América do Norte – incluindo Centro América), com uma atenção principal a região Sul Fluminense do Estado do Rio de Janeiro. Como atuaremos via mídias interativas nosso acesso será mundial

  

 

 

Para isso sugerimos que o portal tenha várias “salas” :

  • Biblioteca – onde teremos a disposição todos os tipos de livros a respeito de direitos humanos e supressão destes.
  • Cinema e Vídeo – Filmes antigos desde os tempos do cinema mudo (Intolerância) até os últimos documentários que temos acesso, passando pelos filmes da época da guerra, da ditadura e de vários momentos históricos. Em um segundo momento propomos a atuação de escolas da região sul fluminense do Rio de Janeiro em palestras sobre estes filmes.
  • Livros (Ex: James Green , que é historiador de Brasil, considerado um dos maiores brasilianistas nos EUA, escreveu um livro chamado: “Apesar de Vocês, a luta contra a ditadura brasileira nos Estados Unidos”. / A afirmação histórica dos direitos humanos – Fábio Konder Comparato / A Hora dos Direitos Humanos na Educação – Sebastião de Souza – Educação) .
  • Sites – Pretendemos ter o maior banco de dados de sites que trabalham com direitos humanos no mundo todo.
  • Notícias – Além das notícias “frescas” e os furos de reportagem que daremos (com uma equipe de jornalismo competente e jovem) replicaremos notícias dadas pela mídia “oficial” com críticas e levantamento da veracidade destas. Tudo feito com muito respeito pelo jornalista e meios de comunicação e todo aval de advogados.
  • ONGs – Teremos contato com todas as ONGs ligadas À proteção da pessoa e direitos humanos
  • Aulas Públicas e Palestras – Com personalidades da áreas de direito, comunicação, relações Humanas, diplomacia, educação, dentre outras.
  • Reforço Escolar – procuraremos auxiliar crianças e adolescentes em suas tarefas escolares em temas ligados aos direitos humanos com matérias e resumo de livros que abordem assuntos variados e estejam nos temas : história, geografia, direito, dentre outros.
  • Detalhamento das atividades da  Comissão Nacional da Verdade  e das diversas Comissões Estaduais ou locais no Brasil e Argentina.
  • Questionamentos – debates ao Vivo.
  • MídiaAtivismo em tempo real – uma equipe de estudantes da região Sul Fluminense estará cobrindo todos ops eventos e manifestações da região e teremos representantes no Rio e em São Paulo, aproveitando nossa locvalizando e cobrindo os movimentos do Vale do Paraíba.
  • Fórum de Denúncias: Nossa página estará aberta para denúncias sobre supressão dos direitos do ser humano, desde ações de Forças de segurança, que atuam com extrema violência a situações de desmandos ambientais, maltrato â crianças, feminicidio, desrespeito a pessoa, agressões, direitos dos mais velhos e da infância e adolescência, direitos das minorias.

 

Justificativa:

QUEREMOS SER UM ESPAÇO DE SERVIÇO SOCIAL A FIM DE

COMUNICAR, DENUNCIAR, ORIENTAR E ATUAR COM

OS DIREITOS HUMANOS NO BRASIL.

Assuntos a serem abordados:

O Brasil é a nação com o maior número de homicídios do mundo, mais de 50 mil por ano. Mais da metade das vítimas são jovens entre 15 e 29 anos e, destes, 77% são negros. A Anistia Internacional lançou, em novembro, a campanha “Jovem Negro Vivo” para chamar a atenção da sociedade brasileira para a gravidade do tema e cobrar respostas das autoridades para enfrentá-lo.

Forças de segurança, que atuam com extrema violência. Em cinco anos, mataram pelo menos 11 mil pessoas – mais do que as polícias dos Estados Unidos em três décadas. Policiais foram acusados da maioria das chacinas ocorridas no Brasil, como a do Complexo da Maré, no Rio de Janeiro (junho de 2013) e a de Belém (novembro de 2014). Parte do problema é vencer a tradição de impunidade, como no importante projeto de lei 4471, de acabar com os “autos de resistência”, que classificam vítimas de homicídios cometidos pela polícia como tendo resistido à autoridade, dificultando investigações.

Os frequentes episódios de violência policial nas operações de segurança e também na repressão aos protestos dos últimos quatro anos reforçaram as mobilizações pela extinção das polícias militares estaduais, como consta da proposta de emenda constitucional 51, em debate no Congresso. A militarização reforça a lógica do policiamento como guerra, em particular contra grupos sociais mais pobres e vulneráveis. Encerrá-la tem sido uma demanda dos movimentos sociais e também de relatores da ONU, tendo sido recomendada ao governo brasileiro por integrantes do Conselho de Direitos Humanos da organização.

Os direitos sexuais e reprodutivos têm impulsionado diversas manifestações e debates no Brasil, com conquistas importantes em anos recentes, como o estabelecimento do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Contudo, ainda ocorrem muitos casos de violência homofóbica, inclusive assassinatos – o Grupo Gay da Bahia estima que aconteçam mais de 200 por ano. Os efeitos desastrosos de tratar o aborto como crime, em vez de tema de saúde pública, são exemplificados por histórias como as de Jandira dos Santos Cruz e Elizângela Barbosa, mulheres que morreram após abortar em clínicas clandestinas no Rio de Janeiro. Seus cadáveres foram escondidos por funcionários dessas instalações. Líderes políticos e religiosos brasileiros com frequência apoiam restrições e violações aos direitos sexuais e reprodutivos, ameaçando retrocesso nessas conquistas ainda frágeis.

Povos indígenas, quilombolas e outras populações tradicionais também estão sob constante preocupação no Brasil. Apesar de a Constituição de 1988 proteger seus direitos fundamentais, há grande dificuldade em implementá-los.

Conflitos por recursos naturais – como terra e minérios – com frequência resultam no assassinato de seus ativistas mais destacados, em quadro geral marcado pela impunidade. Também são sérios os impactos das grandes obras de infraestrutura, como usinas hidrelétricas, em particular pela ausência de uma lei que regule o direto à consulta prévia, livre e informada, como previsto nos tratados diplomáticos, como a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho. Baia de Guanabara, Rio paraíba, Mata Atlântica, dentre outros.

Indústrias e poluição. Estaremos de olho nas indústrias e no exagero das condutas poluidoras, exploradoras do ser humano e de desrespeito ao consumidor e a sociedade em geral.

Estado Laico – Religiosidade Livre

Internet e suas leis – (protegendo nossos direitos de expressão) –E por que sua proteção é importante? Porque as pessoas estão utilizando a Internet para participar dos processos culturais da modernidade. Os governos a utilizam para coletar, armazenar e exibir informações, de modo a interagir diretamente com os governados. Entendemos que os governos devem ter um duplo foco: abstendo-se de desconectar os indivíduos e incentivando o crescimento da infraestrutura para a garantia de acesso.

FILMOTECA

Página em construção!

MEMÓRIA E MEDALHA

A Medalha Dom WALDYR CALHEIROS DE NOVAES  é uma condecoração criada pela empresa Santiago Filmes, nos moldes da Medalha Chico Mendes (Rio)  para homenagear pessoas e/ ou grupos que lutam pelos Direitos Humanos e por uma sociedade mais justa, tendo como exemplo a figura admirável do Bispo Dom Waldyr Calheiros de Novaes, que tanto lutou pela vida, a liberdade  e pelos pobres.
Com o apoio da Diocese de Barra do Piraí - Volta Redonda na pessoa do Bispo Dom Francisco Biasin e das comunidades de base faremos com esta ações (e outras que virão)  jus ao legado de amor, compaixão e luta deixado por Dom Waldyr   .  

UM DIA ESPECIAL PARA A DEMOCRACIA.

EM UM ÚNICO DIA, 30 DE JULHO, ESTAREMOS ENALTECENDO AS SEGUINTES DATAS: DIA 28 DE JULHO - ANIVERSÁRIO DE DOM WALDYR CALHEIROS / DIA 30 - ANIVERSÁRIO DE SACERDÓCIO DO PADRE NATANAEL E ENTREGA DA MEDALHA DE DIREITOS HUMANOS DOM WALDYR CALHEIROS DE NOVAES.

Esta é a primeira edição da iniciativa onde os homenageados são o Pe. Natanael de Moares Campos, da JOC (Juventude Operária Católica) e Estrella Bohadana, das organizações de esquerda da época.

  A COMISSÃO DA VERDADE DE VOLTA REDONDA PESQUISOU E ENUMEROU POR BLOCOS OS CASOS DE GRAVES VIOLAÇÕES DOS DIREITOS HUMANOS NA REGIÃO. NOSSA ESCOLHA É O 8º CASO PESQUISADO PELA COMISSÃO DA VERDADE – VR,  ONDE ACONTECERAM PRISÕES, TORTURAS E INQUÉRITO POLICIAL MILITAR CONTRA A JUVENTUDE OPERÁRIA CATÓLICA E GRUPOS REVOLUCIONÁRIOS  (1970). ANEXANDO A ESSES ALGUNS QUERIDOS DO CORAÇÃO DE DOM WALDYR.  

Neste dia 30 DE JULHO comemoramos também os 51 anos de sacerdócio do Padre Natanael, personagem histórico da cidade de Volta Redonda, que muito fez pela população e os jovens locais e que por seguir os ensinamentos de dividir o pão de Jesus Cristo foi preso e torturado.

São muitos os que merecem serem homenageados por tudo que fizeram e passaram. Tivemos que afunilar a lista de homenageados e escolhemos os que foram presos no BIB em 1970 e que estiveram envolvidos sentimentalmente com Dom Waldyr Calheiros, pessoas que foram supliciadas porque a ditadura não conseguia atingir ao Bispo, mas que também foram salvas por suas relações e proteção deste.    

 

 

 

Contando a verdadeira história:

“Eles não queriam a mim, eles queriam Waldyr”

Pe. Natanael – em entrevista a Rosane Santiago Cordeiro

 

“Quando, há 42 anos, eu saí da prisão, prometi a mim mesma

que nunca faria um pacto com o silêncio”.    

Estrella Bohadana – para a Comissão da Verdade – Volta Redonda – 2014

CONTE-NOS

A história de Estrella iluminou muitos que conviveram com ela em sua estada neste planeta. Coloque aqui sua vivência com Estrella.