Como começou…

No dia 30 de julho de 2017 aconteceu a primeira Medalha de Direitos Humanos Dom Waldyr Calheiros de Novaes.

Em 2016 a jornalista Rosane Santiago Cordeiro conheceu ao Padre Natanael de Moraes, que na década de 1970 foi preso político na região Sul Fluminense do Rio de Janeiro junto com Estrella Bohadana, estudante de arquitetura na época também perseguida pela repressão da ditadura militar. A entrevista foi feita justamente por Rosane estar trabalhando em um filme sobre a vida de Estrella.  Apartir dessa entrevista ficou no ar a possibilidade do padre Natanael voltar a Volta Redonda, cidade onde foi preso e torturado barbaramente.

Os contatos com o Padre se espaçaram, o encontro e a entrevista com Padre Natanael foi difícil para este e para a entrevistadora também, até que Rosane teve acesso aos trabalhos da Comissão da Verdade de Volta Redonda Rosane e acesso a outros personagens que viveram com o Padre e Estrella as histórias daquela época. Então a promessa que havia feito a Natanael que o traria a Volta Redonda para a  comemoração de seu cinquentenário de sacerdócio teria que ser cumprida, nem que fosse no último dia de seus 50 anos, um dia antes do aniversário de 51.

O processo todo foi muito complicado, Rosane conseguiu o apoio de Dom Francisco Biasin, bispo da Diocese de Barra do Piraí, Volta Redonda que esperou pela resposta sem saber dos problemas que travavam a realização do evento. O sofrimento dentro da casa do Padre Natanael com seu sobrinho mais próximo a sair desse mundo pelas mãos do câncer faziam com que a iniciativa tivesse um tom pessoal, teriam que esperar que o rapaz melhorasse, infelizmente para nossa interpretação materialista o moço faleceu e certamente está em um lugar melhor do que este.

Neste ínterim surgiu na história uma personagem que também não está materialmente no mundo terreno, mas que tem uma alma tão fabulosa que habita eternamente os corações de quem o conheceu, Dom Waldyr Calheiros de Novaes. De todas as entrevistas para a feitura do roteiro cinematográfico que Rosane realizava o nome do Bispo aparecia, mas uma lhe tocou intimamente, a que o senhor Evaldo Pontes da Silva (responsável pelo patrimônio histórico da Curia) lhe deu. Nessa conversa a informação da importância e do quanto Dom Waldyr sofrera pelos torturados políticos que foram supliciados na região realmente comovem imensamente.

Entrevistas sobre a época da chegada de Dom Waldyr a Volta Redonda e narrativas dos embates que começava a ter com a sociedade pelo bem dos que este chamava de “pequeninos”, os desvalidos por quem se sentia tão responsável. A jornalista se sentiu tomada por aquela figura pequena, com olhos de menino e . Muitas das pessoas  que o conheceram e que a ele devem a vida estão indo a seu encontro na pátria espiritual, sua história começa a virar lenda, de tanta gente beneficiada por este sacerdote e sua obra no Planeta.

Através de Edgard Bedê, filho do saudoso Waldir Bedê, Rosane teve acesso ao material da Comissão da Verdade de Volta Redonda onde mais e mais histórias descortinaram-se a sua frente, histórias doloridas, de pessoas que defenderam e foram defendidas por Dom Waldyr. Surgiu aí a necessidade de homenagear a essas pessoas, gente do coração do sacerdote, gente que lutou pelo Brasil, pela Igreja e pela amizade do Bispo.

Nasceu então a MEDALHA DE DIREITOS HUMANOS DOM WALDYR CALHEIROS DE NOVAES. Como não tinha tempo e não queria descumprir a promessa feita ao Padre Natanael de que a vinda dele a Volta Redonda e a realização da missa não estariam ligadas à política atual, Rosane usou a pesquisa da Comissão da Verdade e abordou as pessoas que tinham sido presas por participar da JOC. O evnto era então avalizado pelo Padre Natanael e pelo Bispo Dom Francisco.

O andamento das ações foi inesperado tudo conspirando para dar errado e tudo dando certo. Resumindo um evento de emoções fortes, onde pessoas invisíveis à sociedade assumiram, alguns pela primeira vez, sua participação na história Sul Fluminense, nas