Personagens

Estrella Dalva Bohadana

“Estrella foi uma mulher que lutou pela vida desde seu nascimento.  Seu tamanho pequeno e sua doçura escondiam uma determinação e força incomparáveis, talvez tenha sido forjada pela vida justamente para isso.

Viveu 3 casamentos, teve dois filhos e netos, mas foi mãe de muitas outras pessoas que passaram por sua vida. Sempre disposta a proteger e amparar a quem quer que fosse também se enervava e explodia com uma fúria singular (com quem mais gostava fazia isso). Realmente transitava entre múltiplos universos – da militância política à arte e à academia, apoiava, sempre, a liberdade, a criação e a beleza, tanto na tradição quanto na novidade.  Se dedicava ao flamenco com uma gratidão inenarrável, como quem sabia que através da dança conseguiria sempre se recuperar, como ela mesmo conta de quando voltou a andar auxiliada por seu maestro de flamenco: “eu senti que tinha Deus nas pernas, minhas pernas eram Divinas”.

Assumiu o compromisso de não se omitir com relação ao que lhe passou e deu declarações na mídia, palestras e em cada uma dessas experiências trazia a tona mais do que a condição de sobrevivente, mas de alguém que encarava a vida com muito prazer, sempre alerta ao inusitado, ao diferente, ao que poderia ser aprendido e desfrutado, com delicadeza, esperança e amor. Estrella fez muitas coisas boas nesta vida, mas nada supera a sua capacidade de ser amiga e foi com essa disponibilidade que ela mudou a vida de muitas pessoas.

Estrella Bohadana foi presa política e sofreu as agruras terríveis da tortura, como disse uma vez Dom Waldyr Calheiros “lá dentro, a tortura e o abuso que era cometido contra Estrella, deixou-a assim exposta a toda maldade que a gente pode dizer do ser humano”. Mas ela resistiu e não perdeu a dignidade e a fé nas pessoas, no Ser Humano.


 

 

 

Dom Waldyr Calheiros Novaes

 

Desempenhou importante papel na redemocratização do Brasil durante uma ditadura militar. Conhecido por seu engajamento nas lutas sociais em favor de menos favorecidos, como o movimento dos posseiros e o movimento sindical, Dom Waldyr jamais negou abrigo e apoio a todos os perseguidos políticos que buscavam sua ajuda. A barbárie que aconteceu com alguns presos políticos na ditadura em Volta Redonda e Barra Mansa tinha muito a ver com uma impossibilidade do exército “pegar” Dom Waldir, um dos Bispos Vermelhos, considerado “perigoso” pelo regime de Exceção. Waldyr sofria por saber que outros foram torturados em seu lugar com uma finalidade única – lhe ferir. Lutou desde sempre para os direitos dos trabalhadores e de todos os segmentos oprimidos da população brasileira,