Recado às Esquerdas.

 

PRATICAR A POLÍTICA DO NÃO DEIXAR PEDRA SOBRE PEDRA É CONSTRUIR RUÍNAS.

 

 

Dias depois da manifestação de 24 de maio, já em casa, observo fotos dos ataques e nelas os “infiltrados”. Leio no Blog Tijolaço algo que traduz muito o que sinto com relação ao grupo que chegou com violência nas manifestações, o texto se refere a outro assunto, mas guardei essa frase pois cabe também ao povo e aos políticos de esquerda que agem desunidos e sem estratégia no confronto político: “Praticar a política do “não deixar pedra sobre pedra” é, óbvia e literalmente, o mesmo que “construir ruínas”. E a ruína – horrenda, disforme, pobre fortaleza sem defesas – é a do Brasil e do povo brasileiro”.  

As imagens e a impactante frase levam-me a analisar aqueles que buscaram confronto inconsequente e foram preparados com paus, madeirite , escudos, máscaras, enquanto os movimentos sociais e sindicatos deixavam para trás cabos de bandeiras, tubos de PVC das faixas e tudo que pudesse não passar pelas revistas que aconteceriam em dois pontos. Era como se mesmo sabendo da violência que seguiria depois de qualquer tumulto não se importassem com o que fosse acontecer com a maioria dos manifestantes desarmados, dentre estes idosos e crianças.

Sou contra a  destruição do patrimônio público, aquilo tudo foi pago por mim, por nós, mas abomino ainda mais a destruição dos direitos básicos do povo, temos que ir para o confronto, mas quando as “ações de preservação dos direitos” servem de justificativa para um desdobramento violento e atos repressores da polícia e do governo, começo a achar que “as esquerdas”, nada unidas, apoiam o lado do opressor. Como? As manifestações na Copa do Mundo, Olimpíadas, Impeachment,  Greve Geral, Brasília e outras não foram frutíferas por causa da ação de tumultuadores e da polícia. Porque as atitudes dos que provocaram o início destas não foram impedidas pelos próprios manifestantes que lutavam legitimamente por direitos? Sabemos que a polícia não prende nem 10% destes e que muitos violentos são P2.

Os Black Blocs do Rio, que no começo eram utilizados por políticos e por patricinhas metidas a revolucionárias (conheço as peças) hoje dão vazão a sentimentos de jovens de periferia e comunidades que estão ali “aparentemente” para atacar a polícia e o establishment. Eles são respeitados pelas tais “esquerdas”? Quem são realmente os Black Blocs, gente que tem o sangue nos olhos e quer matar quem as oprime ou politicamente esclarecidas que sabem o que estão fazendo? O quanto eles ajudam nas manifestações? Alguém sente algum vínculo com os black blocs, alguém das “esquerdas” pensa em apoiá-los e utilizar essa potência de reivindicação para o bem dos próprios e das ações ou querem mais é que estes sejam bois de piranha? A polícia que “trabalha” nas manifestações não está ali para proteger-nos ou fazer nossos olhos lacrimejarem –  vi várias fotos na internet dos “puliças” empunhando pistolas, armas letais e, aqui entre nós, bomba de efeito moral não arranca dedos como o que aconteceu com o estudante Vitor Rodrigues Fregulia.

Um outro texto me chamou a atenção, escrito por um pseudo-jornalista, dizia que os Black Blocs ajudaram pessoas na manifestação de Brasília, que socorreram e fizeram uma barreira aos aposentados que estavam sucumbindo às bombas. Ããã? Eu estava lá! Black Blocs queriam era dar pedrada e fazer barulho! Com certeza o “jornalista” estava confundindo-os com o Levante Popular da Juventude, um grupo de jovens politizados que, pelo que tenho notícia, não saem com violência nas manifestações, mas sempre com a força de palavras de ordem e músicas de protesto. Nessa manifestação o grupo resolveu fazer camisetas pretas e vestir luto pelo fim da democracia.

Pouco antes de sairmos para a caminhada, gravei imagens e entrevistei manifestantes, principalmente do Movimento dos Sem Terra, representantes de Goiás, da organização nacional e estudantes. Todos almoçavam organizadamente, ninguém preocupado com a polícia ou com confronto, ali estavam basicamente famílias e jovens. Fomos os últimos a entrar na marcha – antes de sairmos o “Levante” entrou na frente do MST (que eu acompanhava)  e seguimos sendo, até aquela hora, o espetáculo da tarde.

Focada na filmagem não percebi que o amigo que me acompanhava não estava (e com ele minha mochila). Já estávamos próximos a primeira barreira policial. Recuei para procurá-lo. O Levante entrou pela lateral, ao mesmo tempo em que alguns manifestantes se recusavam a serem revistados e forçavam a barreira, penso que foi aí que o confronto começou,  nessa hora apareceram adolescentes, do nada, que jogavam pedras na cavalaria. Hoje vi na internet imagens dos “cavalos” vindo em bloco a atacar pessoas que apenas caminhavam em direção ao Congresso.

Estava cansada e suja, depois de dezoito horas de viagem e algumas horas de filmagem do evento. Vestia camiseta, calça jeans e chinelo de dedo. Tudo que poderia me proteger, meu vinagre, leite de magnésia, lenço e documentos estavam na mochila desaparecida. Por incrível que pareça a defesa da maioria das pessoas eram esses produtos, além, óbvio, da união com os parceiros que tinham o mesmo foco: NENHUM DIREITO A MENOS, FORA TEMER e DIRETAS JÁ!

Juntei-me novamente às pessoas do MST, procurando Julia e Gilmar, amigos do assentamento de Piraí, a fim de filmá-los transpondo a barreira, mais uma a atravessarem em direção à cidadania. Tão bonita a atitude dos Sem Terra que, com certeza, se os policiais estavam focados em fazer pressão contra o povo seria em cima desses que foram ovacionados pelos transeuntes quando chegaram à avenida. Seguramente a intenção seria focar em quem não foge ao confronto, independente se entre esses estivessem famílias e crianças pequenas. Exatamente nessa procura pelos amigos, ouço do caminhão da CUT o aviso de que um confronto estava acontecendo e quem não tivesse possibilidades de avançar, que, por favor, parasse. Praticamente todos pararam! O ar de confraternização que vingava até ali ficou extremamente pesado. Já começava a arder-nos a garganta e os olhos, quando um mar vermelho passou, eram os movimentos que voltavam cabisbaixos e confusos. Os olhos e a pele realmente estavam me incomodando, escondi a câmera, que nessa altura já estava quase sem bateria, mais uma razão para economizar, pois minha segunda bateria estava na “mochila desaparecida”. Perguntei as horas a uns senhores quando ouvimos que Aécio Neves havia sido preso, ficamos conversando e procurando na internet mais informações sobre a feliz notícia a respeito do meliante (depois descobrimos que este havia sido convidado a entregar o passaporte e sido notificado de prisão – juro que não sei bem o que significa isso).

Todos concentrados nos celulares quando uma fumaça preta começa a sair entre os prédios, pensei que fosse barricada de pneus queimados, ahhh – inocente demais sou, mal sabia que aquela ardência nos olhos não era por acaso, a violência acontecia brutalmente no Planalto Central e só não foi pior porque a maioria dos movimentos recuaram e seguiram para os ônibus e acampamentos, dando como cumprida a tarefa de manifestação em Brasília, no histórico dia de 24 de maio de 2017. Aquele óbvio desespero do Governo nos fazia concluir que a missão tinha mostrado força e organização. Soube então que a fumaça vinha do Ministério da Agricultura, na hora me veio à cabeça que aquilo tudo era forjado e não era por acaso o INCRA ser incendiado e a repressão começar justamente quando os Sem Terra chegavam acerca da primeira barreira. Minha cabeça funcionava em uma velocidade absurda e todo tipo de conjectura foi analisada. O que eles queriam era uma chacina, mas o povo recuar foi um golpe nos facínoras que de maneira alguma estavam lá para prender agressores, o intuito realmente era de destruir os contestadores e mostrar poder, um poder que esse governo ilegítimo não tem, nunca teve ou terá.

Conseguiram o aborto de nossa intenção em abraçar e sufocar o congresso? Perto de mim muitos passavam mal, estavam feridos ou quase desmaiando, isso sem motivo algum. Recordei-me de uma frase que Dom Waldyr Calheiros disse-me em entrevista a respeito de um torturado – “ele não fez nada, sofreu tudo isso e não havia feito nada de errado. Nada”. Retrocedemos a 1968 ou a ditadura nunca deixou de existir? Essa foi mais uma manifestação pacífica até que as bombas e tiros (letais inclusive) dos policiais apareceram. Se quiséssemos tomar o Congresso, era só avançar e entrar ESTRATEGICAMENTE em uníssono, pode até ser que acontecessem baixas, mas como diz um amigo meu, ex-militar , “se a massa for pra cima a maioria dos soldados corre”. Desta vez era fato que o confronto não era o intuito, ou então as pessoas não levariam bebês de 6 meses a “passear para morrer” por Nenhum Direito a Menos.

Caminhando em direção ao ônibus comprei uvas e pedi ao senhor que as vendia, e lavava as frutas antes de entregá-las, que molhasse meus pulsos e nuca. Aquela água gelada me fez reviver, o homem que estava no espírito de todos ali, disse emocionado: “Volte a Brasília, não deixe de vir, a gente precisa de gente assim como vocês aqui”. Sorri com os olhos marejados, apertamos as mãos e segui com um novo aperto agora na garganta, aquele jovem senhor me fazia acredita na luta por dignidade!

Andávamos sentindo a dor de não completar o processo, era como se estivéssemos em slow motion, a intensão de sufocar o Congresso Nacional com uma energia pacífica, educada, politizada e cheia de boa vontade que permeara toda nossa viagem até à passeata se esvanecia em uma nuvem negra e bombas ardentes. Por algum tempo voltei o rosto para aquela fumaça toda e o congresso nacional ao fundo, um mundo de gente com bandeiras vermelhas e brasileiras seguiam de costas para o Congresso. Parei e fiquei no meio da avenida, saquei a câmera de dentro da camiseta e como se ela fosse minha arma comecei a registrar os diferentes brasileiros que passavam, peles de várias cores, almas de várias culturas, palavras em vários sotaques, alguns me olhavam sérios, outros sorriam e faziam pose, mas nenhum desviava o rosto ou se escondia, ninguém devia nada, todos tinham no olhar a vibração de terem participado de algo que não deveria ter ali seu fim, mas infelizmente, por ações de inconsequentes, todo processo viabilizado pelos sindicatos e movimentos sociais seria protelado.

Uma raiva absurda tomava conta de mim, o que eu ouvia dos companheiros era que Black Blocs e P2 haviam se infiltrado e abortado a manifestação antes desta conseguir se instalar no campo do Congresso Nacional. O que conclui enquanto andava era que algumas pessoas, um número mínimo, vieram preparadas para a radicalização da luta, mas sem nenhuma estratégia e preparo, foi uma decisão isolada e equivocada desde o início, sem a participação da totalidade dos manifestantes. Exausta de tudo e todos continuei caminhando…

Mais a frente pessoas compravam sorvete e com os olhos vermelhos comentavam: “A bomba estourou do meu lado, eu estava parado, fazendo nada, só olhando, viu? eles atiraram de propósito”. Este senhor, que não consigo identificar agora de que movimento era, e um casal de Feira de Santana, Bahia, Ana e Felipe Jesus, foram bem amáveis ao me responder-me quando perguntei sobre o que aconteceu depois da segunda barreira. A moça me contou que viu as pessoas voltando e avançou, crendo que ficando parada estaria em segurança, viu a aproximação de vários outros manifestantes de todos os partidos e movimentos, que acreditavam que abraçados não sofreriam violência, disse-me que, perto dela, eram uns dez que “tocavam rebu”.

Pouco antes de me encontrar com os baianos vi passar por mim jovens adolescentes com máscaras caras e material de defesa profissional, todos rindo e comemorando. Comemorando o quê? A narrativa de Ana apoiava meus sentimentos com relação ao acontecido. Disse-me que viu muitos garotos radicalizando a luta e que percebeu infiltrados. Contou-me de um rapaz, adolescente, que passou correndo, dizendo: “eu coloquei fogo no ministério da agricultura, fogo no ministério da agricultura!” e que foi aí que a fumaça negra começou, realmente foi esse o ministério primeiramente atingido por pedras e fogo. Todos estávamos com intuito pacífico, até a hora do confronto não víamos policiais ostensivamente. Com certeza as sucessivas bombas nos assustaram. Ana continuou a me dizer que nunca pensou que estaria em um contra enfrentamento, que estava ali para ocupar Brasília, para mostrar aos golpistas que o povo tem poder, disse ainda e eu concordo, acreditar que “se não tivesse os black Blocs, algo o governo golpista faria para tentar atacar a classe trabalhadora, que é o grande alvo desse governo golpista e de suas propostas ilegítimas”. Era realmente tudo muito desigual, comentou ainda “naquele descampado havia umas cem pessoas e a gente ficava ali resistindo sem querer sair mesmo, solidarizando-nos, dividindo vinagre, água e socorrendo pessoas próximas”.

Despedi-me de meus novos amigos baianos, atendendo aos telefonemas vindos do nosso “Ônibus da Frente Unificada Contra as Reformas- VR”, onde muitos componentes já haviam retornado e esperavam-me para seguirmos a Volta Redonda, RJ, éramos eu – jornalista, sindicalistas, professores, donas de casa, pessoas de terceira idade já aposentadas e desempregados, um coletivo pequeno, mas com ânimo e bom humor para enfrentar uma viagem de 36 horas – ida e volta.

Dentro do ônibus tive conhecimento de várias visões do dia e estressei-me de verdade com algumas pessoas, não venham me dizer-me que os infiltrados estavam ali ligados a uma ideologia ou a algum patético nazista possível candidato a presidente. Não! Naquele momento, e até agora, penso que as ações que abortaram a tomada do Congresso pelos duzentos mil trabalhadores foram realizadas por policiais infiltrados e esquerdistas equivocados, sem noção de coletividade, estratégia, organização e do que é nação!

Engenheiro e professor, Samuel, o amigo desaparecido detentor da minha mochila, contou-me que entrou junto com o Levante, se eu o tivesse procurado para frente o teria encontrado, mas estaria em meio às agressões, o que nunca foi meu intuito depois de viajar tantas horas para chegar a Brasília. Continuando o relato Samuel disse: “indo em direção ao prédio do Congresso, encontrei o pessoal do coletivo da universidade, nesse momento os policiais começaram a jogar gás de pimenta e de repente no Ministério da Agricultura, eu estava ao lado deste, um fogo e fumaça, foi quando a polícia começou a bater e eu corri, porque eu não estava ali pra apanhar. Fui pra frente do Ministério do Turismo e em segundos apareceram pessoas que começaram a quebrar tudo também, esses não foram mascarados, eram dois rapazes que eu posso dizer  não pareciam Black Blocs, eram jovens, um estava vestido de vermelho e branco e o outro de blusa branca. Assim que o fogo no Ministério da Agricultura começou todos correram, os policiais começaram a meter bala nas pessoas”.

Até ali eu questionava se o Levante fora partícipe, por ter entrado pela lateral, saindo fora da barreira. Não foi não, disse Samuel– “foi gente que se infiltrou ali e o Levante estava vestindo preto pela morte da democracia, eles são do bem, vieram da União da Juventude Socialista. Vi um senhor bem idoso chegar perto de um dos que radicalizavam e falar – “Oh meu filho isso não vai adiantar nada”. O moleque parou e continuou tudo logo depois”, narrou o amigo.

Um presidente de sindicato que estava conosco, Luis Fernando, contou-nos sua versão: “Estávamos com a organização da manifestação e vi passando por ali pessoas com coquetel molotov, escondidos atrás de máscaras de gás profissional, a maioria deles adolescente, não mais que vinte anos”. Luís diz que resolveu seguir para o Congresso com uma amiga jornalista, lembra que repararam uma identificação diferente de alguns dos que estavam atacando os ministérios – desenhos de caveira, por baixo da máscara. Continuou ansioso o relato: “passamos a primeira barreira, chegamos à segunda e as pessoas que estavam perto de mim eram pacíficas. Fomos os primeiros a chegar e depois chegaram os policiais rodoviários montando a grade da segunda barreira. Imediatamente os black blocs já estavam jogando pedras na polícia, chutando tudo”. O relato fica nervoso: “ Nisso, umas pessoas da organização no caminhão de som falavam “gente, tira esses mascarados daí, eles não estão com agente não, eles não representam a gente, tirem eles daí”. Pergunto o que foi feito com esse pedido. “Nada. Começou o quebra-quebra, as bombas de gás lacrimogênio sendo disparadas, o helicóptero jogando gás e as bombas indo para cima do carro do comando, onde estavam o deputado Glauber do PSOL, o Pimenta do PT, a Vanessa, a Jandira Fegalli, outra deputada da Paraíba. Mandaram bomba em cima do caminhão, mandaram bomba até em cima dos policias rodoviários”.

Nessa hora do relato me assustei. Polícia mandando bomba em cima da polícia? “Sim. Os policiais mandaram bomba em cima dos policiais rodoviários e do caminhão de comando da manifestação. Os que jogavam pedras eram no máximo dez pessoas e o terror foi potencializado pela polícia. A partir daí minha vista ardia muito e fui comprar água para lavar o rosto, nisso a policia veio de moto e eu saí. Já tinha passado por ataque no Rio de Janeiro quando fui proteger uma professora e até hoje não recuperei a saúde, levei choque de cinco policiais e não ia deixar eles fazerem isso comigo novamente. Deu medo da sanha dos caras” disse o sindicalista.

Um outro companheiro de viagem, Rafael, um metaleiro caladão,  que vestido de preto poderia ser confundido com um Black Bloc, resolveu entrar na conversa e dizer o que viu, nos deu um relato de amizade entre desconhecidos. “Cheguei sozinho à primeira barreira e não podia entrar com pau de bandeira, com tubo de pvc, nem nada e o grupo que estava perto assumiu passar pelas barreiras na marra, com bandeiras e tudo, diziam que se fossemos atacados seria nossa defesa, abriram caminho e avançaram com o que tinham, se não passássemos naquela hora a tropa de choque viria, passamos. Em pouco tempo começou a confusão, era bomba demais, alguém falou para um se apoiar no outro e ficamos assim, meio que abraçados, em corrente, até que a situação ficou insustentável, ajudamos muita gente com água, vinagre e apoio, pois alguns estavam passando mal mesmo. Vi solidariedade demais entre aquelas pessoas”. E os black Blocs? “Adolescentes. Os que eu vi eram gente com idade de menos de 20 anos”, narrou Rafael.

Tantos discursos interessantes ouvi, tanta gente bacana conheci, a experiência com o MST foi fantástica e deve se tornar um documentário em breve e eu aqui, dias depois, mais calma, escrevendo sobre Black Blocs. Sim! Quero que esse texto chegue a muitos deles, isso se existirem muitos. Para mim é impossível que vinte pessoas possam tirar a legitimidade de um movimento de 200 mil pessoas. Porque os policiais não pegaram os moleques mascarados quando foram avisados pelo carro de comando? Porque esses reacionários de direita e esquerda são aceitos pela polícia e não são presos? A quem serve isso? Mesmo que sejam de esquerda essas pessoas não nos representam e atrapalham as manifestações que começam pacíficas e acabam divulgadas como reunião de baderneiros. Se estes não se sintonizam com o resto dos grupos, porque não vão a manifestações de direita? Vão lá, peitem os coxinhas, quebrem vidros nas manifestações deles.  Quanto aos P2, de que adianta serem mercenários de políticos que tiram seus direitos, cometendo crimes odientos contra a população e principalmente contra o futuro de seus filhos e netos? Não, não vale a pena. Que deixemos de ser “as esquerdas” intolerantes e nada compreensivas e, se nos achamos esclarecidos,  que tenhamos a compreensão que a responsabilidade de povo unido por um bem comum é nossa, quem sabe assim tenhamos novamente orgulho de sermos  – brasileiros.

 

Rosane Santiago Cordeiro – documentarista.

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